sexta-feira, 24 de julho de 2015

ÍTACA - Konstantinos Kavafis - Grecia

Konstantinos Kavafis
poeta grego nascido em 1863 e falecido em 1933, apresento-lhes o poema ÍTACA, na tradução de poeta português Jorge de Sena. Registro apenas que busquei atualizar a acentuação - colónias - mas mantive a construção sintática, inclusive por afeição.
***
ÍTACA

Quando partires de regresso a Ítaca,
deves orar por uma viagem longa,
plena de aventuras e de experiências.
Ciclopes, Lestregônios, e mais monstros,
um Poseidon irado - não os temas,
jamais entrarás tais coisas no caminho,
se o teu pensar for puro, e se um sentir sublime
teu corpo toca e o espírito te habita.
Ciclopes, Lestregônios, e outros monstros,
Poseidon em fúria - nunca encontrarás,
se não é na tua alma que os transportes,
ou ela os não erguer perante ti.

Deve orar por uma viagem longa.
Que sejam muitas as manhãs de verão,
quando, com que prazer, com que deleite,
entrares em portos jamais antes vistos!
Em colonias fenícias deverás deter-te
para comprar mercadorias raras:
coral e madrepérola, âmbar e marfim,
e perfumes sutis de todas a espécie:
compra desses perfumes quanto possas.
E vai ver as cidades do Egito,
para aprenderes com os que sabem muito.

Terás sempre Ítaca no teu espírito,
que lá chegar é o teu destino último.
Mas não te apreces nunca na viagem.
É melhor que ela dure muitos anos,
que sejas velho já ao ancorar na ilha,
e sem esperar que Ítaca te dê riquezas.

Ítaca deu-te essa viagem esplêndida.
Sem Ítaca não terias partido.
Mas Ítaca não tem mais nada para dar-te.

Por pobre que a descubras, Ítaca não te traiu.
Sábio como és agora, senhor de tanta experiência,
terás compreendido o sentido de Ítaca.
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