domingo, 26 de julho de 2015

Soneto Ao Amor * Luis Vaz De Camões - Portugal

Luis Vaz De Camões - Portugal
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Soneto Ao Amor

Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida, descontente,
repousa lá no céu eternamente
e viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente,
que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
alguma cousa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te,

roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.
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Soneto Ao Pastor Jacob
Soneto sobre Amar

Obs.: Títulos atribuídos por Antonio Cabral Filho.
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sexta-feira, 24 de julho de 2015

ÍTACA - Konstantinos Kavafis - Grecia

Konstantinos Kavafis
poeta grego nascido em 1863 e falecido em 1933, apresento-lhes o poema ÍTACA, na tradução de poeta português Jorge de Sena. Registro apenas que busquei atualizar a acentuação - colónias - mas mantive a construção sintática, inclusive por afeição.
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ÍTACA

Quando partires de regresso a Ítaca,
deves orar por uma viagem longa,
plena de aventuras e de experiências.
Ciclopes, Lestregônios, e mais monstros,
um Poseidon irado - não os temas,
jamais entrarás tais coisas no caminho,
se o teu pensar for puro, e se um sentir sublime
teu corpo toca e o espírito te habita.
Ciclopes, Lestregônios, e outros monstros,
Poseidon em fúria - nunca encontrarás,
se não é na tua alma que os transportes,
ou ela os não erguer perante ti.

Deve orar por uma viagem longa.
Que sejam muitas as manhãs de verão,
quando, com que prazer, com que deleite,
entrares em portos jamais antes vistos!
Em colonias fenícias deverás deter-te
para comprar mercadorias raras:
coral e madrepérola, âmbar e marfim,
e perfumes sutis de todas a espécie:
compra desses perfumes quanto possas.
E vai ver as cidades do Egito,
para aprenderes com os que sabem muito.

Terás sempre Ítaca no teu espírito,
que lá chegar é o teu destino último.
Mas não te apreces nunca na viagem.
É melhor que ela dure muitos anos,
que sejas velho já ao ancorar na ilha,
e sem esperar que Ítaca te dê riquezas.

Ítaca deu-te essa viagem esplêndida.
Sem Ítaca não terias partido.
Mas Ítaca não tem mais nada para dar-te.

Por pobre que a descubras, Ítaca não te traiu.
Sábio como és agora, senhor de tanta experiência,
terás compreendido o sentido de Ítaca.
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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Versos Íntimos - Augusto Dos Anjos - PB

Augusto Dos Anjos
poeta brasileiro, Sapé-PB, 20 de abril de 1884 
- Leopoldina-MG 12 de novembro de 1914.
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VERSOS ÍNTIMOS

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
enterro de tua última quimera.
Somente a ingratidão - esta pantera -
foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
mora, entre feras, sente inevitável
necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
a mão que te afaga é a mesma apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
apedreja essa mão que te afaga,
escarra nessa boca que te beija!
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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Autopsicografia * Fernando Pessoa - Portugal


AUTOPSICOGRAFIA
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O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
na dor lida sentem bem,
não as duas que ele teve,
mas só a que eles não tem.

E assim nas calhas de roda
gira, a entreter a razão,
esse comboio de cordas
que se chama o coração.

Fernando Pessoa - Portugal

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